Vinhas e Vinho do Dão

OS VINHOS DO DÃO NO PATAMAR DA EXCELÊNCIA

Longe vão os tempos, felizmente, em que o Dão se tornou vítima de si mesmo, quando o monopólio dominante que detinha no pequeno mundo dos vinhos portugueses, nos anos 70 e na primeira metade dos anos 80 – época de vinhos extraordinários – deixou a região anestesiada no seu próprio sucesso, vendo-se ultrapassada pelo Alentejo, primeiro, e pelo Douro, logo a seguir.

Há cerca de 20 anos, ao longo da última década do século XX e na transposição do milénio, o Dão renasceu das cinzas, modernizou-se, apetrechou-se com adegas modernas e com a melhor tecnologia e viu emergir – muito mais importante do que tudo o resto – dezenas de novos produtores e de grandes enólogos que desde então andam a fazer grandes vinhos, singulares e irrepetíveis.

Além do mais, os novos vinhos do Dão honram sobremaneira os seus irmãos mais velhos dos anos 70 do século passado, indo claramente ao encontro dos consumidores mais exigentes, que estão cansados da oferta “mainstream” da maioria das regiões vitícolas do mundo inteiro, assente em vinhos demasiado extraídos, demasiado encorpados, demasiado madurões, muito fortes e alcoólicos, carregados de frutos negros, enfim, excessivamente musculados e enjoativos.

Para sorte de quem gosta de vinhos tintos elegantes – e como bem sublinhou o conceituado crítico de vinhos Paul J. White – o Dão “oferece uma alternativa clara” ao disponibilizar “vinhos delicadamente perfumados, mais leves, com notas de frutos vermelhos (cerejas e morangos), taninos finos e acidez refrescante”, um pouco ao estilo da região francesa da Borgonha.

Mas se no Dão encontramos vinhos tintos que nos remetem para a Borgonha – nomeadamente os que vivem da casta Jaen – pode dizer-se que há perfume de Bordéus nos grandes lotes construídos com Touriga Nacional e Alfrocheiro. Ou que existem laivos da sub-região de Chablis – pátria dos melhores Chardonnay do mundo – na mineralidade, componente cítrica e equilíbrio dos fantásticos Encruzado da região do Dão.

Singulares nas suas características, os vinhos do Dão comparam-se aos melhores. São vinhos no patamar da excelência.

Luís Costa
Jornalista, “winewriter”, editor da revista WINE – A Essência do Vinho

 

 

 

 

 

 

As castas recomendadas no Dão são as seguintes:

Tintas:
Alfrocheiro;
Alvarelhão;
Aragonez (Tinta-Roriz);
Bastardo;
Jaen;
Rufete;
Tinto-Cão;
Touriga-nacional;

Brancas:
Barcelo;
Bical;
Cerceal-Branco;
Encruzado;
Malvasia-Fina;
Rabo-de-Ovelha;
Terrantez;
Uva-Cão;
Verdelho.

A fermentação dos mostos do Dão é feita lentamente e a baixas temperaturas, o que contribui para um aveludado específico, que afirma o caráter e a elegância característicos do Vinho do Dão.

A verdadeira essência do Vinho do Dão apenas é totalmente perceptível através da experiência da prova:

Vinho Tinto
Cor: rubi com subtis reflexos atijolados
Aroma: intenso a fruta madura
Sabor: complexo e delicado
Textura: aveludado e encorpado

Vinho Branco
Cor: amarela-citrina
Aroma: frutado, complexo e delicado
Sabor: fresco e com um final exuberante
Textura: suave, com acidez equilibrada

Vinho Rosé
Cor: rosado
Aroma: floral e frutado
Sabor: fresco e persistente
Textura: leve, com acidez equilibrada

Espumante
Cor: citrina, rubi ou rosado
Aroma: frutado
Sabor: fresco, equilibrado e persistente
Textura: elegante e boa acidez, elevado requinte e sedução
Perlage: bolha fina e persistente

Fonte: CVR Dão